História da ONU: A cronologia dos fatos políticos que a antecederam.

Em termos de ordem política, a Organização das Nações Unidas representa o mais ambicioso projeto da história das relações internacionais. Surgirda em tempos de guerra, foi criada com o condão de, nas palavras de John Stoessinger, ex-Diretor da Divisão de Assuntos Políticos da ONU, ‘’aniquilar na fonte’’ o surgimento de outro Hitler, a fim de não permitir seu crescimento.

Dessa forma, em outubro de 1945, 50 países assinaram a Carta que deu vida à Organização cuja tarefa principal seria a de promover a paz e a segurança das Nações. Para atingir este fim, buscou-se, em primeiro lugar, estabelecer a unidade entre as Grandes Potências, que assumiram entre si tal responsabilidade.

No entanto, diversos fatos políticos relevantes ocorreram muito antes daquele 24 de outubro de 1945. Ainda durante a II Guerra Mundial (1941), tratativas sobre a necessidade de se criar uma união de nações com a finalidade de evitar novas guerras tiveram início. Ao menos 5 eventos importantes antecederam a assinatura da Carta das Nações Unidas. Foram eles:

St. James Palace — London
  1. A Declaração do Palácio St. James: Em 1941, Londres já estava há quase 2 anos ininterruptos sofrendo com ataques do Eixo. Em junho daquele ano, 9 países estavam exilados dentro da capital da Grã-Bretanha. Diante dos abalos constante, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e a União Sul-africana, bem como os governos exilados da Bélgica, Checoslováquia, Grécia, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polônia, Iugoslávia e o General de Gaulle da França, se reuniram no Palácio St. James’ e assinaram uma declaração em que reafirmavam sua fé na paz e esboçavam o futuro pós-guerra;

2. Carta do Atlântico: Dois meses depois, em agosto de 1941, o Presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o Primeiro-Ministro britânico, Winston Churchill, negociaram a bordo do navio HMS Prince os Wales, uma Carta com visões de um mundo pós-guerra. O documento é importante pois traz princípios que constam hoje na Carta das Nações Unidas, a exemplo do respeito à autodeterminação dos povos, a busca pelo desarmamento, liberdade dos mares e etc;

3. Declaração das Nações Unidas: Assinada por 26 países em 1942, a Declaração trazia em seu bojo o comprometimento dos governos em empregar todos os recursos, tanto militares quanto econômicos, a fim de construir um paz conjunta. No total, 45 países aderiram à Declaração, inclusive o Brasil, tendo sido o 32º a fazê-lo;

Stalin, Roosevelt e Churchill em Teerã.

4. Conferências de Moscou e Teerã: A Conferência de Moscou reuniu os Ministros do Reino Unido, Estados Unidos, China e União Soviética, teve como foco dirimir divergências entre a URSS e as potências aliadas. Após 12 reuniões, foi publicada a Declaração de Moscou que, dentre outros aspectos, reconhecia em seu artigo 4º a necessidade de se estabelecer, em tempo razoável, uma Organização Internacional geral, baseada no princípio da soberania dos Estados. Já em dezembro de 1943, em Teerã, Roosevelt, Churchill e Stalin reuniram-se pela primeira vez e declararam a resolução de planos concertados para a vitória;

Dumbortan Oaks Conference

5. Dumbortan Oaks e Yalta: A conferência de Dumbortan Oaks, uma mansão privada em Washington, D.C., reuniu EUA, China, Grã-Bretanha e União Soviética. Finalizada em 7 de outubro de 1944, teve como resultado a proposta de estruturação de uma Organização Internacional. O texto foi enviado para que as Nações analisassem e discutissem sobre as premissas. No documento constava um esboço do que viria mais tarde a ser a Carta da ONU, com a estrutura, responsabilidades dos membros, métodos de votação e uso das forças armadas em serviço da paz. A Conferência de Yalta, por sua vez, ocorreu em fevereiro de 1945 e definiu questões relacionadas aos métodos de votação.

Conferência de São Francisco. 1945 — UN

6. Conferência de São Francisco

50 países se reuniram durante 2 meses em São Francisco para discutir todos os pontos do que viria a ser a Carta das Nações Unidas. A Conferência foi grandiosa. Reuniu mais 3500 pessoas, dentre os quais, 850 delegados. Para organizar as discussões, foi estabelecido um Comitê Diretivo composto por todos os chefes de delegação. Paralelamente, formou-se o Comitê Executivo, com 14 países, responsável pelo preparo de recomendações aos trabalhos do comitê principal.

Ocorreram 10 sessões plenárias para analisar todos os pormenores do Projeto de Carta até que, em 25 de junho de 1945, no Opera House, ocorreu a reunião derradeira e a assinatura da Carta.

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Pesquisador de História das Relações Internacionais. Baterista, fã de Jazz e vinhos de países alternativos.

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Alexandre Lins

Alexandre Lins

Pesquisador de História das Relações Internacionais. Baterista, fã de Jazz e vinhos de países alternativos.

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